"Eu te busco de todo o coração; não permitas que eu me desvie dos teus mandamentos." (Salmo 119:10)

sábado, 26 de outubro de 2013

Sobre relacionamentos abertos.


Fiz uma brincadeira com um amigo meu, inicialmente sem propósito nenhum mesmo, mas acabou que a brincadeira me fez pensar... Eu propus a ele que colocássemos em nossos perfis do Facebook que estávamos "juntos" em um "relacionamento aberto". Esta brincadeira poderia me custar algumas coisas, porque, como estou cercada de cristãos, alguns conservadores demais e outros nem tanto, e sustento um cargo de liderança, isso poderia (com certeza!) assustar alguns e até me render alguns pontos a menos no quesito "imagem-que-devo-refletir-e-sustentar-mesmo-que-ela-não-seja-necessariamente-verdadeira-mas-devesse-ser." Óbvio que um "relacionamento aberto" não é bem estar junto... Mas, enfim, isso não vem ao caso agora, até porque o que é um "relacionamento aberto"? É possível definir alguma coisa como relacionamento aberto?

Mas a ideia aqui é apenas comentar brevemente sobre alguns pontos que chamaram a minha atenção:

1 - Quero crer que as pessoas não sabem o que é um relacionamento aberto, nem eu sei bem também, mas prefiro crer nisso do que acreditar que as pessoas realmente estão muito preguiçosas pra ler, porque uma parte veio me perguntar toda feliz: "Tu tá namorando?" Não gente... Namoro não combina com relacionamento aberto. Namoro é sério! Namoro é FECHADO. Fechadinho mesmo. Um + Um. Acho que o resto você pode chamar de "amizade colorida", parangolé, safadeza, estamos-vendo, não-quero-rotular ou relação livre, que é um termo mais chique e até estudado. Mais abaixo há um link sobre issoMas não, namoro não.

2 - Pra que existe este tipo de status no Facebook? Entre os meus mil e poucos amigos nunca vi nenhum colocando um status desse. Isso significa que as pessoas não têm relacionamentos abertos e portanto o facebook tem uma opção simplesmente inútil? Claro que não, amigos! Você está falando é do facebook! Se está lá, tem alguma utilidade! Esses relacionamentos por aí já existem, são tendências, existem vários textos falando sobre isso, talvez a maior parte das pessoas só não tem coragem de assumir. Mas, é só uma questão de tempo para que o "desprendimento e a modernidade" tome conta de quem quer de fato viver assim e aí todo mundo passe a assumir isso.

3 - Ou não. Porque é fato também que, a cada dia que passa, as pessoas querem assumir menos. Menos responsabilidades, menos intromissões, menos perguntas, menos porquês... A gente tá na época do "vamos ver no que dá... sei lá, tô curtindo..." Conheço pessoas que têm relacionamentos sérios e não dizem pra ninguém, não colocam em Facebook, só conta se perguntam, não deixam vestígios. Há problema nisso? Sei lá. Eu realmente não sei. Eu sei é que, se eu estivesse num relacionamento sério, vulgo namoro, eu ia querer que as pessoas soubessem porque, na minha opinião, essas coisas existem para serem "sabidas".

4 - O Facebook realmente é um medidor social. Geralmente as pessoas curtem ou comentam o que eu escrevo, e eu escrevo muita bobagem, às vezes só brincadeiras, compartilho muita música... Coisas simples. E desta vez, poucas, pouquíssimas pessoas curtiram, teve gente que nem sequer comentou e que eu sabia que tinha visto. E o mais engraçado: nem vieram falar comigo e quando vieram não tocaram no assunto! As pessoas sabem ignorar o que eles não "curtem".

5 - Eu acho super interessante o cinismo generalizado e a armadilha psicológica que todo mundo cria pra si. Eu fico sabendo de cada coisa por baixo dos panos... Gente enrolada com mais de um, meninas orando pelo príncipe, namoricos escondidos dos pais... e as pessoas ainda se assustam com "relacionamento aberto". É, queridos, a safadeza existe, ela está aí!

6 - As pessoas acham que eu sou tão louca a ponto de realmente me envolver em um relacionamento aberto. Acho que até conseguiria, acho que até teria coragem... Mas não, ainda não cheguei a este ponto. Embora toda ilusão, toda decepção e toda falta de interesse possa levar a isso.

7 - Até algo que não precisaria ter, tecnicamente, um rótulo, tem: relacionamento aberto. É um rótulo. E parece que as pessoas têm medo de rotularem-se e rotularem seus relacionamentos... A questão é que atualmente está em voga isso de "não quero me definir", "não quero rotular". O "rótulo". Ouço perguntas do tipo: "Pra quê dizer o que é? Pra quê dizer pras outras pessoas?". Damos tanto valor ao que os outros pensam que até inventamos novos adjetivos para caracterizar o que vivemos, que até queremos "normalizar" isso. É a chamada busca pela legitimação social. Queremos que a sociedade não ache estranho aquilo que vivemos ou queremos viver e portanto começamos a questionar os padrões por ela determinados para que as coisas possam ser mais "aceitas". Eu quero me rotular. Na verdade, quero um relacionamento rotulado. Quero que me assumam, quero que saibam, quero não ter que ser questionada por viver um "estilo de vida" que não seja o "correto". Eu quero o que é certo. Mas querer não é poder...Então, cá estou eu.

Eis algumas citações de textos que li de uns tempos pra cá sobre esse assunto. Tentem ler a priori sem juízo de valor, depois, façam e pensem o que quiser.

"As novas relações em curso podem ser de diversos formatos. Há casais que fazem pequenas aberturas em seus relacionamentos: seja indo a casas de swing, seja permitindo que em determinados momentos, como no Carnaval, o parceiro possa se relacionar com outras pessoas. No poliamor, o relacionamento é centrado numa ideia de família, só que expandida. E, em geral, as relações são múltiplas, mas fechadas, como a de Janaína, pressupondo a polifidelidade. Já nas relações livres, o foco é o indivíduo e ele tem liberdade para agir como quiser. Charô vê os relacionamentos não monogâmicos como uma régua, onde não há etapas a serem superadas, mas sim gradações de desconstrução: "No swing, você desconstrói a questão do sexo com a mesma pessoa. No poliamor, desconstrói o sexo e o amor. Na relação livre, o amor, o sexo e todas as outras questões da conjugalidade". É uma espécie de liberdade gradativa, em que a cada elo da corrente que se quebra, mais livre a pessoa é." Em: As Muitas Faces do Amor.

"-Ok, amor, então de agora em diante nós temos um relacionamento aberto.
- Ok, combinado. Fechado!
- Tá.
- Mas como vai ser?
- Como vai ser o que, André?
- Isso, de relacionamento aberto e tal, a gente tem que acertar os detalhes.
- Que detalhes? A gente não tá comprando uma multinacional, não tem que “acertar detalhes”.
- Claro que tem! Quer ver um exemplo? Quando a gente ficar com alguém, tem que contar pro outro?
- Sei lá, pode contar, pode não contar. Tanto faz.
- Mas se mentir não é relacionamento aberto, é traição." Em Relacionamento aberto, pero no mucho. Texto muito engraçado!

"Sei que quem quer fazer besteira na vida faz de qualquer forma, com ou sem esse fórum coletivo para preservar suas ações. Sei também que cada pessoa deveria ser plenamente responsável por suas atitudes. Mas o mundo real não é um vale encantado. Uma aliança no dedo, uma papel assinado, uma mudança de status no Facebook, um casamento religioso, queira ou não, repercute e oferece uma informação jurídica, espiritual ou social aos outros e que estará ali preservando psicologicamente pelo compromisso assumido." Em: "A importância de assumir um relacionamento."

"Pode, a cerimônia, ter ou não padre ou juiz de paz, o que não pode faltar é o convite, o momento, e os amigos avisados do que vai acontecer. Como o amor não se explica, o que os amantes fazem é testemunharem – não explicarem – o que sentem. Testemunhar, dizia Jacques Lacan, vem de “testis”, que está na origem de “testículo”. O aval do testemunho não é a razão, é um pedaço selecionado do corpo. E que pedaço! Casar consolida, afirma, inscreve a bobagem de cada um no mundo, propiciando novas e múltiplas expressões de um relacionamento, entre elas, a de maior relevância, os filhos." Em Para que Casar?

"O amor romântico surgiu no século 12 e nunca foi permitido no casamento. O amor entra como possibilidade no casamento no século 19, mas, passou a ser um fenômeno de massa a partir de 1940 quando todos passaram a querer casar por amor. A influência de Hollywood ajudou. O amor é uma construção social. Para o último livro que escrevi, O Livro do Amor, que será lançado em junho, pesquisei da Pré-História, passando por Grécia, Roma, Idade Média, Renascença, Iluminismo, Século XIX, Século XX, e século XXI. Serão dois volumes. O amor é uma construção social que muda conforme a época. Hoje, as pessoas vivem que o amor é sempre o mesmo, ou seja, amor romântico. Mas este tipo de amor só existe no Ocidente e está dando sinais de sair de cena. Hoje existe uma grande busca da individualidade e não tem a ver com egoísmo. As pessoas não estão a fim de abrir mão dos seus projetos pessoais. Então, o amor romântico prega exatamente o oposto disso: a fusão das almas gêmeas, os dois se transformarem em um só. A grande viagem do ser humano hoje é estar dentro de si mesmo. É saber das suas potencialidades. E o amor romântico prega que você se feche na relação com uma pessoa." Em: “A sociedade caminha para relações amorosas múltiplas”, diz psicanalista."

"Hoje… a concepção de relação livre organiza nossa vida de tal forma que vivemos, a um só tempo, às relações afetivas estáveis, continentes, baseadas na densa amizade mas também, e simultaneamente, as relações organizadas pelo prazer mesmo da atividade sexual, sem outra decorrência. Para nós não há oposição entre encontros casuais e relação estável. Combinamos com liberdade estas possibilidades extremas e quaisquer de suas possibilidades intermediárias. A cultura monogâmica opõe obsessivamente “é namoro ou é amizade?”; é “profundo ou casual”; é “amor ou prazer sexual”. Queremos namoro regido pelos princípios da amizade; relações profundas e eventuais; amor e sexo. Tudo livre, ao mesmo tempo e com várias pessoas." Em: O que é Relações Livres, da Rede Relações Livres (sim, existe!)

"Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente. O Poliamor pressupõe uma total honestidade no seio da relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela." Em Poliamor


"Acho a ideia ótima, até por ter minhas dúvidas sobre a questão de ficar com uma só pessoa pro resto da vida. Mas ainda não me convenci que relacionamentos múltiplos podem satisfazer a todos os envolvidos com a mesma intensidade do que em uma relação de exclusividade. Acho que por mais que seja uma experiência muito rica pro indivíduo em si, o crescimento do relacionamento é prejudicado. Dividir amor pode ser lindo, mas dividir energia pode acabar trazendo conseqüências não tão agradáveis." Em: Tem Amor pra Todo Mundo? Uma reflexão sobre o poliamor.
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Eu não quero dizer aqui que acho certou ou errado, bom ou ruim. Só estou pensando...




Um comentário:

Thaliane França disse...

Bom, confesso que achei estranho mesmo o status no facebook hahah mas como vc é vc, com esse jeito seu doidinha (tu sabe rsrs, ate comentou ai no post) eu nem liguei tanto.. Quanto a essa questao de relacionamento aberto, mesmo que seja uma tendência , eu mesma nao entraria.. eu, nao só por ser cristã e mesmo q eu nao.fosse, eu ainda acredito no namoro fechadinho rsrs pra mim esse lance de ABERTO ja quebra totalmente a questao da fidelidade.. Claro nao vou querer me relacionar com um rapaz que beija e outras coisas outras que eu nem se quer conheço. Sei lá, pra mim a parada é monogâmica meeeesmo! Meus parabens pela escrita!