Faz um tempo que li este livro, mas sempre o recomendo! Nunca fiz resenha pra colocar em blog, como vejo em muitos (um dia talvez, com mais paciência, quem sabe?), por enquanto, destaco alguns trechos e deixo que um esboço da leitura conquistem mais admiradores como eu. (Veja o livro no
Skoob.)
"Mas - pela centésima vez vos repito isto - existe um único caso, sim, apenas um, em que o homem pode intencional e conscientemente desejar para si mesmo algo nocivo e estúpido, sem estar comprometido com a obrigação de desejar apenas o que é inteligente. Isto é de fato, estupidíssimo, é um capricho, mas realmente, senhores, talvez seja para a nossa gente, o mais vantajoso de tudo quanto existe sobre a terra, sobretudo em certos casos. E, em particular, talvez seja mais vantajoso que todas as vantagens, mesmo no caso de nos trazer um prejuízo evidente e de contradição às conclusões mais sensatas à nossa razão, a respeito de vantagens; pois, em todo caso, conservamo-nos o principal, o que nos é mais caro, isto é, a nossa personalidade e a nossa individualidade. Alguns afirmam que isto constitui de fato o que há de mais caro para o homem; a vontade pode, naturalmente, se quiser, concordar com a razão, sobretudo se não se abusar desse acordo e se ele for usado moderadamente; isto é útil, e às vezes, até louvável. Mas a vontade, com muita frequência e, na maioria dos casos, de modo absoluto e teimoso, diverge da razão, e... e... sabeis que até isto é útil e às vezes muito louvável?"
Ah, sim! Na maioria das vezes o que desejamos não é nada racional, mas ainda sim fazemos justamente isso. É por isso que somos humanos, que somos ditos racionais, porque até o IRracional podemos escolher (pelo menos em tese).
"Concordo: o homem é um animal criador por excelência, condenado a tender conscientemente para um objetivo e a ocupar-se da arte da engenharia, isto é, abrir para si mesmo um caminho, eterna e incessantemente, PARA ONDE QUER QUE SEJA. Mas talvez precisamente por isto lhe venha às vezes uma vontade de se desviar, justamente por estar condenado a abrir esse caminho, e talvez ainda porque, por mais estúpido que seja um homem direto e de ação, ocorre-lhe às vezes que o caminho vai quase sempre PARA ALGUMA PARTE, e que o principal não estar em saber para onde se dirige, mas simplesmente em que se dirija, e em que a criança comportada, desprezando a arte da engenharia, não se entregue à ociosidade destruidora, que, como se sabe, é mãe de todos os vícios. O homem gosta de criar e de abrir estradas, isto é indiscutível."
"Embora tenha afirmado, no início, que a consciência, a meu ver, é a maior infelicidade para o homem, sei que ele a ama e não a trocará por nenhuma outra satisfação. A consicência, por exemplo, esrá infinitamente acima do dois e dois, certamente, nada mais restará, não só para fazer, mas também para conhecer. Tudo o que será possível, então, será unicamente, calar os cinco sentidos e imergir na contemplação. Bem, com a consciência obtém-se o mesmo resultado, isto é, também não haverá nada a fazer; mas pelo menos poderemos espancar a nós mesmos, de vez em quando, e isto, apesar de tudo, infunde ânimo. Ainda que seja retrógrado, é sempre melhor que nada."
Pura fenomenologia! Puro existencialismo! (sou estudante de psicologia, pronto, tá explicado).
"Destruí os meus desejos, apagai meus ideais, mostrai-me algo melhor, e hei de vos seguir."
Minha parte preferida de todo o livro! Se fores CAPAZ, tente destruir meus desejos, tente apagar meus ideais, se você conseguir me dá algo melhor eu lhe seguirei! Se conseguir!
"Estou certo de que a nossa gente de subsolo deve ser mantida à rédea curta. Uma pessoa assim é capaz de ficar sentada em silêncio durante quarenta anos, mas, quando abre uma passagem e sa para a luz, fica falando, falando, falando..."
"O homem, às vezes,ama terrivelmente o sofrimento, ama-o até à paixão, isto é um fato."
fato.
Sobre Dostoiésvki(y): Fiodor Mikhailovich Dostoievski foi uma das maiores personalidades da literatura russa, tido como fundador do Realismo. Entre suas obras destacam-se: "Crime e Castigo", "O Idiota", "O Jogador", "Os Demônios", "O Eterno Marido" e "Os Irmãos Karamazov". Publicou também contos e novelas. Criou duas revistas literárias e ainda colaborou nos principais órgãos da imprensa russa. Seu reconhecimento definitivo como escritor universal surgiu somente depois dos anos 1860, com a publicação dos grandes romances: "O Idiota" e "Crime e Castigo". Seu último romance, "Os Irmãos Karamazov", é considerado por Freud como o maior romance já escrito.( Fonte)