"Eu te busco de todo o coração; não permitas que eu me desvie dos teus mandamentos." (Salmo 119:10)

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Marcada pra valer e nada recatada.

"A deformidade do corpo não afeia uma bela alma, mas a formosura da alma reflete-se no corpo." (Sêneca)
"O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito, desfaz-se - basta a simples reflexão." (Machado de Assis)
"Não existe testemunha mais terrível - acusador mais poderoso - do que a consciência que habita em nós." (Sófocles)

Faço coisas que me marcam. Pode ser o corte do cabelo, uma tatuagem, uma fala, um texto, uma foto, eu quero que me marque, marque o momento em que eu estou vivendo e quem sou naquele instante. Gosto de olhar para trás e lembrar exatamente quem eu era e por que estava de determinada forma. As fotografias que fiz aqui são um marco de um momento da minha vida. Um momento em que eu acordava e me sentia imunda. Coincidentemente, as fotos foram finalizadas no dia do movimento "Bela, Recatada e Do Lar". Bem, recatada eu nunca fui e por isso eu sentia como se cada parte do meu corpo estivesse infectada, sentia raiva de mim mesma e dos meus impulsos. Comecei a me sentir horrível, por dentro e por fora. O desejo que eu tinha por mim mesma estava se esvaindo, eu queria e precisava me "rever".

Vez ou outra tenho vontades súbitas, não cabe aqui dizer quais são, a questão é que, em boa parte das vezes, não fujo dessas vontades. E quando rola o arrependimento (leve ou não) de fazer certas coisas, eu decido embalá-lo em um lindo papel de presente chamado "experiência". Posar para um ensaio sensual foi uma dessas experiências que eu tenho vontade de repetir. Desta vez, até segunda ordem, não há arrependimentos.

Depois de ver vários ensaios, saber o que eu queria "ser", enfim, decidi. O fotógrafo, Alessio Rissato, além de um ótimo profissional é um dos meus amigos mais antigos e íntimos, o que favoreceu com que eu me sentisse muito à vontade e respeitada. Sempre fui apaixonada por aquele estereótipo da "femme fatale", brava, decidida. E, por alguns instantes, eu me enxerguei assim.

Há um medo, confesso (religião, consciência moral, "o que será que vão dizer?", formação de estereótipos...), mas por enquanto... vai tudo bem e, pra mim mesma, eu sou a "fatale", brava e decidida, que eu admiro. Parece meio incoerente encontrar a forma mais "imoral" para me sentir com um pouco mais de "moral". Mas aí fiquei me perguntando: "imoral por quê?". É uma coisa tão normal, tão natural, é o corpo e pronto. Eu não quero encarar isso de outra forma.

Poderia enviar para outro site, poderia não mostrar pra ninguém, que era o que eu queria realmente, mas eu não sou de fazer nada pela metade. Isso não seria diferente. Sou eu, apenas eu, aqui no canto que é mais meu do que de qualquer outra pessoa no mundo, no Lar, com uma iluminação bacana, um fotógrafo e uma câmera profissionais e sem photoshop. Me expondo sim, mostrando meus "defeitos" e até, veja só, gostando de cada um deles, como qualquer mulher deveria se sentir: bem.


























3 comentários:

Thanndara Lima disse...

Fiquei encantada com a sua coragem, pelo seu empoderamento e por sempre ser você mesma! Amo muito você minha irmã, meu orgulho!!! :-D

Vanessa Tereza disse...

Linda! E nada mais a comentar

Rom Basilio disse...

Muito bom texto, de uma natureza e Alma tanto quanto de desacato ao moral, por isso mesmo louvavel! Quanto as fotos, a expressao de seus traços é inquietante, extático! ;)