Sem novidades. Nada. Silêncio.
Como vão as coisas?
O que você tem feito?
Sem novidades. Nada. Silêncio.
Tô lendo um livro.
Tô ouvindo um álbum antigo.
Descobri uma banda.
Escrevi uma poesia.
Assisti aquele filme que eu não tinha vontade de assistir.
Prometi aprender a tocar algum instrumento.
Descobri um café novo no centro da cidade.
Mas estou sem novidades.
Nada.
Silêncio.
Pensei na próxima tatuagem.
Pensei no tema da dissertação.
Pensei no show que quero ir.
Pensei na composição que eu quero fazer.
E na melodia que ela podia ter.
Pensei naquele passeio que fiz sem motivo algum.
Estou pensando no próximo passeio que, sem motivo algum, quero fazer.
Ignorei algumas tarefas.
Ignorei algumas falhas.
Parei de sonhar enquanto durmo, estou sonhando acordada.
Com os pés bem no chão
querendo ficar na meia ponta
(mas sem vontade alguma de voar).
Eu conheci algumas pessoas.
Eu desconheci algumas outras também.
Eu reaprendi alguns conceitos.
Eu deixei de gostar de algumas coisas.
Eu pedi desculpas.
Eu não me arrependi de várias coisas.
Eu saí sem beber
E bebi de novo depois
Eu continuo dançando.
Mas eu estou sem novidades.
Nada.
Silêncio...
"Eu te busco de todo o coração; não permitas que eu me desvie dos teus mandamentos." (Salmo 119:10)
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Sobre alguns itens.
Sobre equilíbrio.
Não sou muito equilibrada (não convencionalmente). Eu tenho uma linha padrão de comportamento com umas curvas bem tortuosas. Eu passo uma semana bacana, uma semana mal, uma semana sei lá e uma semana nem aí... Eu sumo, apareço, eu brigo, eu rio, eu não importo e depois me importo de novo.
Sobre planos.
Faço, desfaço, refaço, altero. Não sigo linha reta, mas me apego a alguns sonhos. Quero família, sim, eu sei que quero. Quero casa simples. Sim, eu sei que quero. Mas os planos para alcançar isso, não tenho mais, estou vivendo, não sei se um dia terei, mas estarei de braços abertos para receber quando o tempo chegar, se chegar, se eu continuar querendo.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
2015: o pior anos de nossas vidas
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| Douglas Girard – La alegría de vivir. |
Mentira. Não foi o pior ano da minha vida. Acho que nem da sua. Venhamos e convenhamos que as coisas sempre podem ficar pior, e há ainda o clichê bonito de se dizer que toda coisa ruim tem seu lado bom. A minha retrospectiva sobre 2015 não reflete os acontecimentos mundiais (que inclui os nacionais - crise, desastres ambientais, escândalos, desemprego...), mas ainda assim acredito que os ensinamentos que me deu são válidos, pelo menos para mim.
Em 2015 eu passei por muitas mudanças, inclua aí o meu ganho de peso. Inclua também o perfeito amor destruído por mim. Inclua também a fuga/solução para a minha falta de privacidade e minha vontade gigante de voar mais alto e sem explicações - nem para mim mesma.
Inclua também a solidão, o medo e a insegurança. Mas inclua também a coragem, que nem eu sabia que tinha. Inclua também a falta de vergonha, que eu já tinha ideia que tinha, mas que não ainda havia testado.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Quantos monstros eu tenho?
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| Emotional Innocence - Tim Parker |
Quantos monstros moram dentro de mim?
Quantos monstros eu sou?
Quantos segredos eu guardo?
Quantos venenos eu tenho?
Quais os perfumes que eu não exalo?
Quantos medos eu perdi?
Quantos dedos já não tenho?
Quais os sonhos que ainda guardo?
Quais os tempos que eu não vivo?
Quais remédios eu não tomo?
Quantas máscaras eu uso?
Quantos limites ultrapassei?
Quantas fronteiras eu atravessei?
Quantos muros eu derrubei?
Quantos beijos desperdicei?
Quantas músicas não ouvirei mais?
Quantos músicos não verei mais?
Quantos shows eu darei?
Quantas vergonhas ainda passarei?
Quantos personagens eu vou encenar?
Quantas peças
Quantos dramas
Quantos ensaios...
Eu ainda vou atuar?
Eu ainda vou ser?
--
Quais as chances eu ainda conseguir ser aquilo que eu pretendo? Eu dou um pause, tento sumir por algumas horas, alguns dias, pra recolocar as coisas no seu devido lugar e perceber: eu sou um emaranhando de problemas, de confusões, de tanta coisa de mim mesma que eu não conheço, que eu mesma me assusto, eu mesma me envergonho de tanta coisa que está aqui transbordando em mim, sem eu querer que estivesse. Estou cansando de mim.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Textos alterados
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| Escritor - pintura de Iria Blanco Barca |
Não gosto de histórias mal contadas. Não gosto de histórias pela metade. Não gosto de histórias mal feitas. Não gosto de ler, de ouvir, de contar histórias ruins (não necessariamente tristes). Não gosto de histórias partidas, histórias indefinidas, de histórias com começos desgostosos e não gosto de finais. Na verdade, não gosto de poesias ao final e de novelas no começo.
I could love you more than life if I wasn't so afraid of what it all could be...
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Com que tinta você anda pintando seu quadro?
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| Under One Umbrella - Leonid Afremov |
Outro dia vi uma postagem num blog em que eram enumeradas algumas coisas que faziam as pessoas ficarem mais inteligentes, uma delas era as relações. Dizia que geralmente nosso QI vai se "igualando" às cinco pessoas mais próximas de nós, algo assim; bem, gostaria de ter encontrado o link da reportagem, mas, de qualquer forma, é apenas uma pesquisa que não considera outros contextos sociais também, diga-se de passagem, entretanto, ainda assim é uma informação que me chamou bastante atenção.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Meu melhor borrão
"The Way In Which We Change" - Nick Lepard
Eu ainda vejo suas coisas. E outro dia eu chorei por você. Fazia tempo que eu não dava vexame, dizem que bêbados sempre falam a verdade, não é? Olha, acho que eu quero que você, especificamente você, seja o motivo de eu estar sofrendo. Eu já desperdicei muitos amores. Eu já recebi poesias e cartas, músicas e filmes, vidas que podia ter vivido, mas não desperdicei a doação. Eu me doei e não me arrependo disto.
Eu sei que deixei em você, além de mágoa, raiva e decepção, também um sorriso decorrente de lembranças que, tenho quase certeza, vez ou outra aparecem (mesmo que em seguida com o sentimento de raiva) no seu cotidiano de coisas que eu que lhe apresentei, eu que lhe ensinei, eu que lhe dei. Eu tenho quase certeza que não pode ser que em tão pouco tempo seja possível livrar-se de mim assim.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Ficando no casulo
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| Obra de Pablo Gonzalez |
Quando fico muito confusa ou muito cheia de coisas acabo transbordando e a única coisa que me vem à cabeça é me isolar. Eu tento tirar o máximo possível de tudo o que pode me distrair. Tento focar no processo de ficar no casulo. Às vezes dá trabalho, porque em tempos de comunicação excessiva é preciso um grande empreendimento para ficar sozinho.
Quanto custa ficar só! Quanto custa requerer este momento pra si. Não era pra ser assim. Mas é compreensível também o porquê de ser tão trabalhoso. O estado de solitude não é um estado compreendido pelo mundo. Não é algo esperado por ninguém. Ficar sozinho voluntariamente, viver este momento de reclusão por livre e espontânea vontade não é visto com bons olhos.
Girassóis - Caio Fernando Abreu
Tenho aprendido muito com o jardim. Os girassóis, por exemplo, que vistos assim de fora parecem flores simples. fáceis, até um pouco bruta.
Pois não são não. Girassol leva tempo se preparando, cresce devagar enfrentando mil inimigos, formigas vorazes, caracóis do mal, ventos destruidores. Depois de meses, um dia, pá! Lá está o botãozinho todo catita, parece que já vai abrir.
Mas leva tempo, ele também, se produzindo. Eu cuidava, cuidava e nada.
Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto.
Girassol dura pouco, uns três dias.
Caio Fernando Abreu
domingo, 8 de novembro de 2015
Morena
Morena era jovem, dezesseis anos, magrinha, mas carnuda, seios crescendo, sorriso largo, cabelos compridos e castanhos, com pequenas ondas nas pontas, sobrancelhas bem finas, lábios grossos, e apesar de Morena, era branquinha. Pele macia e boa de bronzear, diferente das demais branquinhas não ficava avermelhada, mas com um dourado que realçava os seus olhos, ora verdes, ora acinzentados, perfeitos para quem mora numa cidade de interior: o sol rachando, a terra em alguns cantos ainda vermelha, os rios de tons verdes acompanhando os caminhos, as árvores aqui frondosas ou ali quase mortas, com olhos que não se sabe de que cor são e que podem ora ser da cor da água que acompanha a travessia, da cor do céu ou da cor que quem olhar, quiser.
Morena não tinha grandes aspirações, aos dezesseis anos pensava apenas em terminar o ensino médio e o que quer que aconteça depois seria lucro. Não passava muito tempo pensando nessas coisas, apesar de não levar uma vida relativamente corrida para não ter tempo ou ter medo, simplesmente não pensava. Aos dezesseis anos não se precisa pensar nessas coisas, haverá tanto tempo e pressão para se pensar nelas, que é melhor Morena aproveitar este tempo de ócio e descobertas com coisas bobas e ao mesmo tempo importantes.
Morena não tinha grandes aspirações, aos dezesseis anos pensava apenas em terminar o ensino médio e o que quer que aconteça depois seria lucro. Não passava muito tempo pensando nessas coisas, apesar de não levar uma vida relativamente corrida para não ter tempo ou ter medo, simplesmente não pensava. Aos dezesseis anos não se precisa pensar nessas coisas, haverá tanto tempo e pressão para se pensar nelas, que é melhor Morena aproveitar este tempo de ócio e descobertas com coisas bobas e ao mesmo tempo importantes.
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Caindo as escadas
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| Ilustração de Christoph Guher |
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Eu desorganizo para reorganizar
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Vem tipo bossa.
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Ilustração de autoria do artista plástico paulistano Roberto Bieto
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Vem assim, vem bossa, mas não se preocupe se está misturando esse sambinha e essa pegada eletrônica, de vez em quando é bom mexer assim mesmo... Vem e diz no meu ouvido "e quem não tem amor não tem é nada!", afinal, eu sei, ainda sei que tem tanta gente aí com amor pra dar, tão cheia de paz no coração... Mas eu não.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Um quarto de música e um "senta aqui". #5
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| Ilustração de Amanda Cass |
Não vamos sair por aí por aí se dando, se doando, dando, recebendo... Tudo tão vazio, tão rápido, tão engraçado e... fugaz. Líquido, já diria Bauman, coisa apenas para "contar" não para "se contar". Não vira conto, poesia, nada disso: vira marca e, no máximo, uma bossa mal cantada.
Eu estou vendo o tempo passar. Não tão rápido como outrora pareceu. Não tão intenso (mas no caminho de ser) como antes um dia foi, como antes um dia eu fui. Eu quero apenas ver o tempo passar e não está dando certo.
Vamos repetir a mesma música, todo dia.
Vamos assistir o mesmo filme.
Vamos reler aquele livro.
Vamos compartilhar aquela poesia...
Esperar.
Deixar o vento entrar e limpar a sujeira, levantar a poeira.
Fácil dizer. Quem disse que consigo?
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
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