"Eu te busco de todo o coração; não permitas que eu me desvie dos teus mandamentos." (Salmo 119:10)

terça-feira, 10 de maio de 2016

Junto ou separado?

Quando eu paro um pouquinho para dar uma olhada nas coisas ao redor, o que eu percebo é um misto de intensos sentimentos muitas vezes completamente paradoxais num mesmo grupo de pessoas ou numa mesma pessoa, em todos os lugares - e esse é um dos motivos de eu ter vários mecanismos para usar as redes sociais de maneira mais moderada possível, por exemplo. Não critico isso, pois até no espelho enxergo às vezes esse fenômeno. Não posso negar, no entanto, que me incomoda um pouco essa sensação de falta de solidez.

Você faz a leitura de um blog (e, sério, estou farta desses blogs todos tão iguais - podem até incluir o meu) que diz que você tem que fazer o que quiser, sim, afinal, você é livre! É preciso desapegar, desamar, se conhecer, dar pra todo mundo ou não dar pra nenhum, que é hora de viver o momento, viver o aqui e o agora e pronto. Que é tempo de ficar só e isso de maneira alguma é ruim, que esse lance dos status, das formas predefinidas, não, nada disso funciona mais. Afinal, é hora de amar a si e somente a si, assim.

Fujam para as colinas!

domingo, 24 de abril de 2016

Smashed (2012)




Smashed (2012 - "De Volta à Realidade"), é um daqueles filmes em que muita gente não acredita ou não considera ser interessante para assistir. A sinopse foi sugestiva o suficiente para me aguçar a curiosidade:

Kate (Mary Elizabeth Winstead) e Charlie (Aaron Paul) formam um jovem casal cuja união se deu pelo amor que ambos sentem pela música, pela diversão e pela bebida... Principalmente pela bebida. Quando o consumo de álcool começa a levá-la a lugares perigosos e põe em perigo seu trabalho como professora, ela decide procurar os Alcoólatras Anônimos e se manter sóbria. Com a ajuda de sua nova amiga e protetora (Octavia Spencer) e do vice-diretor do colégio onde trabalha, o estranho mas bem-intencionado Sr. Davies (Nick Offerman), Kate toma providências para melhorar sua saúde e sua vida. No entanto, manter-se sóbria não é tão fácil como Kate imaginara. Seu novo estilo de vida revela um relacionamento complicado com sua mãe, fazendo-a enfrentar as mentiras que contou a sua chefa (Megan Mullally) e põe em dúvida a razão de seu casamento com Charlie: amor ou medo de enfrentar a vida adulta? (Filmow)

sábado, 23 de abril de 2016

Sem pressão.

Mandy Tsung


Não cansa ser sarcástico o tempo todo?
Não cansa ter sempre uma opinião formada sobre tudo e rapidamente?
Não cansa ter que ter certeza sobre qualquer assunto relevante ou não?
Não pesa ter que ter os mesmos pensamentos que os seus amigos?

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Marcada pra valer e nada recatada.

"A deformidade do corpo não afeia uma bela alma, mas a formosura da alma reflete-se no corpo." (Sêneca)
"O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito, desfaz-se - basta a simples reflexão." (Machado de Assis)
"Não existe testemunha mais terrível - acusador mais poderoso - do que a consciência que habita em nós." (Sófocles)

Faço coisas que me marcam. Pode ser o corte do cabelo, uma tatuagem, uma fala, um texto, uma foto, eu quero que me marque, marque o momento em que eu estou vivendo e quem sou naquele instante. Gosto de olhar para trás e lembrar exatamente quem eu era e por que estava de determinada forma. As fotografias que fiz aqui são um marco de um momento da minha vida. Um momento em que eu acordava e me sentia imunda. Coincidentemente, as fotos foram finalizadas no dia do movimento "Bela, Recatada e Do Lar". Bem, recatada eu nunca fui e por isso eu sentia como se cada parte do meu corpo estivesse infectada, sentia raiva de mim mesma e dos meus impulsos. Comecei a me sentir horrível, por dentro e por fora. O desejo que eu tinha por mim mesma estava se esvaindo, eu queria e precisava me "rever".

Vez ou outra tenho vontades súbitas, não cabe aqui dizer quais são, a questão é que, em boa parte das vezes, não fujo dessas vontades. E quando rola o arrependimento (leve ou não) de fazer certas coisas, eu decido embalá-lo em um lindo papel de presente chamado "experiência". Posar para um ensaio sensual foi uma dessas experiências que eu tenho vontade de repetir. Desta vez, até segunda ordem, não há arrependimentos.

Depois de ver vários ensaios, saber o que eu queria "ser", enfim, decidi. O fotógrafo, Alessio Rissato, além de um ótimo profissional é um dos meus amigos mais antigos e íntimos, o que favoreceu com que eu me sentisse muito à vontade e respeitada. Sempre fui apaixonada por aquele estereótipo da "femme fatale", brava, decidida. E, por alguns instantes, eu me enxerguei assim.

Há um medo, confesso (religião, consciência moral, "o que será que vão dizer?", formação de estereótipos...), mas por enquanto... vai tudo bem e, pra mim mesma, eu sou a "fatale", brava e decidida, que eu admiro. Parece meio incoerente encontrar a forma mais "imoral" para me sentir com um pouco mais de "moral". Mas aí fiquei me perguntando: "imoral por quê?". É uma coisa tão normal, tão natural, é o corpo e pronto. Eu não quero encarar isso de outra forma.

Poderia enviar para outro site, poderia não mostrar pra ninguém, que era o que eu queria realmente, mas eu não sou de fazer nada pela metade. Isso não seria diferente. Sou eu, apenas eu, aqui no canto que é mais meu do que de qualquer outra pessoa no mundo, no Lar, com uma iluminação bacana, um fotógrafo e uma câmera profissionais e sem photoshop. Me expondo sim, mostrando meus "defeitos" e até, veja só, gostando de cada um deles, como qualquer mulher deveria se sentir: bem.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Notas sobre o marasmo

Sem novidades. Nada. Silêncio.
Como vão as coisas?
O que você tem feito?
Sem novidades. Nada. Silêncio.

Tô lendo um livro.
Tô ouvindo um álbum antigo.
Descobri uma banda.
Escrevi uma poesia.
Assisti aquele filme que eu não tinha vontade de assistir.

Prometi aprender a tocar algum instrumento.
Descobri um café novo no centro da cidade.
                Mas estou sem novidades.
                Nada.
                Silêncio.

Pensei na próxima tatuagem.
Pensei no tema da dissertação.
Pensei no show que quero ir.
Pensei na composição que eu quero fazer.
            E na melodia que ela podia ter.
Pensei naquele passeio que fiz sem motivo algum.
Estou pensando no próximo passeio que, sem motivo algum, quero fazer.

Ignorei algumas tarefas.
Ignorei algumas falhas.
Parei de sonhar enquanto durmo, estou sonhando acordada.
                                                      Com os pés bem no chão
                                                      querendo ficar na meia ponta
                                                     (mas sem vontade alguma de voar).

Eu conheci algumas pessoas.
Eu desconheci algumas outras também.
Eu reaprendi alguns conceitos.
Eu deixei de gostar de algumas coisas.

Eu pedi desculpas.
Eu não me arrependi de várias coisas.
Eu saí sem beber
           E bebi de novo depois
Eu continuo dançando.

Mas eu estou sem novidades.
Nada.
Silêncio...

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sobre alguns itens.




Sobre equilíbrio.
Não sou muito equilibrada (não convencionalmente). Eu tenho uma linha padrão de comportamento com umas curvas bem tortuosas. Eu passo uma semana bacana, uma semana mal, uma semana sei lá e uma semana nem aí... Eu sumo, apareço, eu brigo, eu rio, eu não importo e depois me importo de novo.

Sobre planos.
Faço, desfaço, refaço, altero. Não sigo linha reta, mas me apego a alguns sonhos. Quero família, sim, eu sei que quero. Quero casa simples. Sim, eu sei que quero. Mas os planos para alcançar isso, não tenho mais, estou vivendo, não sei se um dia terei, mas estarei de braços abertos para receber quando o tempo chegar, se chegar, se eu continuar querendo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

2015: o pior anos de nossas vidas

Douglas Girard –  La alegría de vivir.


Mentira. Não foi o pior ano da minha vida. Acho que nem da sua. Venhamos e convenhamos que as coisas sempre podem ficar pior, e há ainda o clichê bonito de se dizer que toda coisa ruim tem seu lado bom. A minha retrospectiva sobre 2015 não reflete os acontecimentos mundiais (que inclui os nacionais - crise, desastres ambientais, escândalos, desemprego...), mas ainda assim acredito que os ensinamentos que me deu são válidos, pelo menos para mim.

Em 2015 eu passei por muitas mudanças, inclua aí o meu ganho de peso. Inclua também o perfeito amor destruído por mim. Inclua também a fuga/solução para a minha falta de privacidade e minha vontade gigante de voar mais alto e sem explicações - nem para mim mesma.

Inclua também a solidão, o medo e a insegurança. Mas inclua também a coragem, que nem eu sabia que tinha. Inclua também a falta de vergonha, que eu já tinha ideia que tinha, mas que não ainda havia testado.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Quantos monstros eu tenho?

Emotional Innocence - Tim Parker

Quantos monstros moram dentro de mim?
Quantos monstros eu sou?
Quantos segredos eu guardo?
Quantos venenos eu tenho?
Quais os perfumes que eu não exalo?

Quantos medos eu perdi?
Quantos dedos já não tenho?
Quais os sonhos que ainda guardo?
Quais os tempos que eu não vivo?
Quais remédios eu não tomo?

Quantas máscaras eu uso?
Quantos limites ultrapassei?
Quantas fronteiras eu atravessei?
Quantos muros eu derrubei?
Quantos beijos desperdicei?

Quantas músicas não ouvirei mais?
Quantos músicos não verei mais?
Quantos shows eu darei?
Quantas vergonhas ainda passarei?
Quantos personagens eu vou encenar?

Quantas peças
Quantos dramas
Quantos ensaios...
Eu ainda vou atuar?
Eu ainda vou ser?

--

Quais as chances eu ainda conseguir ser aquilo que eu pretendo? Eu dou um pause, tento sumir por algumas horas, alguns dias, pra recolocar as coisas no seu devido lugar e perceber: eu sou um emaranhando de problemas, de confusões, de tanta coisa de mim mesma que eu não conheço, que eu mesma me assusto, eu mesma me envergonho de tanta coisa que está aqui transbordando em mim, sem eu querer que estivesse. Estou cansando de mim.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Textos alterados

Escritor - pintura de Iria Blanco Barca

Não gosto de histórias mal contadas. Não gosto de histórias pela metade. Não gosto de histórias mal feitas. Não gosto de ler, de ouvir, de contar histórias ruins (não necessariamente tristes). Não gosto de histórias partidas, histórias indefinidas, de histórias com começos desgostosos e não gosto de finais. Na verdade, não gosto de poesias ao final e de novelas no começo.

I could love you more than life if I wasn't so afraid of what it all could be...

Não gosto de consertar um texto, digo e repito: o que eu escrevi, escrito está, não volto atrás. Ajeito uma vírgula ou um ponto, se realmente tiver que ajeitar, mas o texto depois de escrito já não é mais eu, já não é mais só meu. Não é justo querer voltar e reescrever. Quem reler, se reler, não lerá a mesma coisa, já estará alterado.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Com que tinta você anda pintando seu quadro?


Under One Umbrella - Leonid Afremov

Outro dia vi uma postagem num blog em que eram enumeradas algumas coisas que faziam as pessoas ficarem mais inteligentes, uma delas era as relações. Dizia que geralmente nosso QI vai se "igualando" às cinco pessoas mais próximas de nós, algo assim; bem, gostaria de ter encontrado o link da reportagem, mas, de qualquer forma, é apenas uma pesquisa que não considera outros contextos sociais também, diga-se de passagem, entretanto, ainda assim é uma informação que me chamou bastante atenção.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Meu melhor borrão

            "The Way In Which We Change" - Nick Lepard

Eu ainda vejo suas coisas. E outro dia eu chorei por você. Fazia tempo que eu não dava vexame, dizem que bêbados sempre falam a verdade, não é? Olha, acho que eu quero que você, especificamente você, seja o motivo de eu estar sofrendo. Eu já desperdicei muitos amores. Eu já recebi poesias e cartas, músicas e filmes, vidas que podia ter vivido, mas não desperdicei a doação. Eu me doei e não me arrependo disto.

Eu sei que deixei em você, além de mágoa, raiva e decepção, também um sorriso decorrente de lembranças que, tenho quase certeza, vez ou outra aparecem (mesmo que em seguida com o sentimento de raiva) no seu cotidiano de coisas que eu que lhe apresentei, eu que lhe ensinei, eu que lhe dei. Eu tenho quase certeza que não pode ser que em tão pouco tempo seja possível livrar-se de mim assim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Ficando no casulo

Obra de Pablo Gonzalez
Cá estou eu aqui novamente. Como uma vez bem semelhante fiquei: tentando acordar.
Quando fico muito confusa ou muito cheia de coisas acabo transbordando e a única coisa que me vem à cabeça é me isolar. Eu tento tirar o máximo possível de tudo o que pode me distrair. Tento focar no processo de ficar no casulo. Às vezes dá trabalho, porque em tempos de comunicação excessiva é preciso um grande empreendimento para ficar sozinho.

Quanto custa ficar só! Quanto custa requerer este momento pra si. Não era pra ser assim. Mas é compreensível também o porquê de ser tão trabalhoso. O estado de solitude não é um estado compreendido pelo mundo. Não é algo esperado por ninguém. Ficar sozinho voluntariamente, viver este momento de reclusão por livre e espontânea vontade não é visto com bons olhos.

Girassóis - Caio Fernando Abreu



Tenho aprendido muito com o jardim. Os girassóis, por exemplo, que vistos assim de fora parecem flores simples. fáceis, até um pouco bruta.

Pois não são não. Girassol leva tempo se preparando, cresce devagar enfrentando mil inimigos, formigas vorazes, caracóis do mal, ventos destruidores. Depois de meses, um dia, pá! Lá está o botãozinho todo catita, parece que já vai abrir.

Mas leva tempo, ele também, se produzindo. Eu cuidava, cuidava e nada.

Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto.

Girassol dura pouco, uns três dias.

Caio Fernando Abreu

domingo, 8 de novembro de 2015

Morena

Morena era jovem, dezesseis anos, magrinha, mas carnuda, seios crescendo, sorriso largo, cabelos compridos e castanhos, com pequenas ondas nas pontas, sobrancelhas bem finas, lábios grossos, e apesar de Morena, era branquinha. Pele macia e boa de bronzear, diferente das demais branquinhas não ficava avermelhada, mas com um dourado que realçava os seus olhos, ora verdes, ora acinzentados, perfeitos para quem mora numa cidade de interior: o sol rachando, a terra em alguns cantos ainda vermelha, os rios de tons verdes acompanhando os caminhos, as árvores aqui frondosas ou ali quase mortas, com olhos que não se sabe de que cor são e que podem ora ser da cor da água que acompanha a travessia, da cor do céu ou da cor que quem olhar, quiser.
Morena não tinha grandes aspirações, aos dezesseis anos pensava apenas em terminar o ensino médio e o que quer que aconteça depois seria lucro. Não passava muito tempo pensando nessas coisas, apesar de não levar uma vida relativamente corrida para não ter tempo ou ter medo, simplesmente não pensava. Aos dezesseis anos não se precisa pensar nessas coisas, haverá tanto tempo e pressão para se pensar nelas, que é melhor Morena aproveitar este tempo de ócio e descobertas com coisas bobas e ao mesmo tempo importantes.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Caindo as escadas

Ilustração de Christoph Guher
Uma das melhores coisas que podem nos acontecer vira e mexe é ser ignorado/rejeitado. É uma coisa que geralmente (talvez por carência) faz você parar e pensar: "Nossa, não sou tão importante assim." Não somente isso, mas é um momento que lhe garante uma reflexão sobre o que você está passando, quem você é, por que você quer aquilo que não recebeu (quase sempre um tipo de reconhecimento, muitas vezes vulgar) e por que você acha, mesmo que inconsciente, que o outro tem que lhe dar isto que você acredita ser merecedor de receber.