"Eu te busco de todo o coração; não permitas que eu me desvie dos teus mandamentos." (Salmo 119:10)

sábado, 13 de agosto de 2016

A gente sabe que vai passar.




Eu sempre estive do outro lado. Do lado que via um problema, ou causava ele, e tentava resolver. E resolver algumas vezes significava abandonar o barco e nadar até a próxima praia (mesmo que isso cansasse e pudesse me matar). Desta vez em momento algum, neste segundo tempo, eu vi o barco afundando. Quando dei por mim, a água já estava acima dos nossos joelhos e fui obrigada a me jogar no oceano. Não me preparei. Ainda queria ficar lá, no barquinho. Não sei para que praia vou, não sei sequer se tenho forças para nadar.

Nos momentos de naufrágio sempre existem as vozes que nos dizem as mesmas coisas que dizemos quando não somos nós os que estão afundando:

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Conservador ou porra-louca: nenhum, obrigada.




Eu pensei em escrever isso no mural do meu perfil no Facebook, mas acabei desistindo por vários motivos. Um deles é a minha dificuldade de me posicionar e a dificuldade da humanidade de saber questionar e dialogar sem a necessidade de acessar o mode língua ferina. Isso me incomoda muito e, por isso, apertei o botão do Jaiminho no meu cotidiano e ultimamente tenho vivido querendo "evitar a fadiga".

Mas uma coisa muito, no mínimo, intrigante, anda acontecendo na minha universidade. Recentemente um encontro chamado de "I Encontro da Juventude Conservadora da UFMA" foi divulgado, em resposta ao movimento um outro evento na mesma data, supostamente acontecerá (não sei se o pessoal está só provocando ou se realmente algo está sendo organizado), o "I Seminário da Juventude Porra-Louca". Bem, memes e piadas (até de minha parte) à parte, sabemos que esses eventos são o reflexo de um grande embate ideológico e de tom maniqueísta que estamos vivendo em nosso país nos últimos anos, mais fortemente observável agora com a disputa PT x PSDB, Dilma x Temer e etc. Bem, acabo de citar uma das coisas que mais me irrita nisso tudo: o maniqueísmo. Ao que me parece a consciência política de boa parte das pessoas (e de muitos jovens) é baseado numa filosofia Power Rangers, bem versus o mal e simples assim. Não sou nenhuma bambambam da política, mas pelo menos consigo perceber claramente que, em nosso sistema político pelo menos, esses dois lados não são tão claros e fixos como percebemos.

Ultimamente, andei refletindo sobre a importância de se posicionar sobre determinados assuntos. Confesso que isso me amedronta e explico o porquê a partir destes dois exemplos de eventos:

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Carta para seguir em frente



Eu sei que você fez o que podia. Sei que você não queria ter feito o que fez, mas acredito na sua palavra. Não leio mentes nem sondo corações, mas creio que você tenha se arrependido, pois tu tens mania disso: de se arrepender muito de muitas coisas, tanto que às vezes até cansa, embora eu realmente acredite. Eu sei que você não voltou atrás por diversos motivos: a dúvida se era para realmente ser (se há a dúvida, deve ser?), o fato de não ter perdoado questões iniciais e ter "passado por cima" como se estivesse tudo bem e, principalmente, o perdão que você nunca daria (e ainda não deu) a si mesma. Olha, eu sei de tudo isso e, sinceramente, compreendo tua decisão, respeito e sei que tu tens certeza que era o melhor a ser feito.

Tu tens uma carcaça fria, um sorriso gelado que não deixa transparecer a dor e o medo, a tristeza. Teus olhos são sérios e rígidos, pétreos, tu és pedra, dura, implacável. Mas eu sei que por dentro tu te martiriza, se mata aos poucos, se apunhala. Hoje eu sei disso, mas  eu te recebi fria e indiferente, como se não doesse em ti como doía em mim, não entendia que o grito que agonizava em tua consciência te ensurdecia. Tu tens a razão em cada frase, sufoca tuas emoções e passa por cima do que não é certeiro, te joga num abismo de cálculos, previsões e certezas do que na tua cabeça tu acredita piamente que não vai: suportar, aguentar, levar e, nunca mais, querer mais.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Participação especial: você mesmo.



Tem gente que é temporária, que você por um momento até acha que não, mas depois de um tempo, percebe que foi. Não estamos falando aqui de relações utilitaristas, mas de relações passageiras. Eu realmente acredito que existem pessoas temporárias, relações temporárias. E essa não é uma visão negativa da vida, mas o que percebi na minha própria experiência.

Durante nossa vida vamos encontrando pessoas que nos marcam de formas infinitas e que queremos realmente que façam parte de todos os nossos momentos. O tempo passa, e às vezes ele é curto, ou então vem a distância, as tarefas, as mudanças bruscas ou até mesmo a falta de mudança; algo acontece e você percebe que a coisa não é mais a mesma. Não que você não goste da pessoa ou que não continue desejando-a como um dos personagens da sua história, mas parece que as coisas simplesmente... mudaram.

Segundo ato.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Agradeça pelos detalhes



Outro dia li um texto que falava sobre fazer um agradecimento por dia. É um exercício de, ao final do dia, olhar o que aconteceu e agradecer por algo. Este exercício aparentemente é muito simples de ser feito, mas bem sabemos que não são todos os dias que fazemos isso, ainda mais sabendo que há dias em que nada dá certo, há dias em que saímos com nossa agenda toda organizada com as coisas que temos que fazer, perambulamos para cima e para baixo, enfrentamos trânsitos e pessoas grossas em atendimentos e no fim de tudo nada se resolve. Fala sério, você nunca teve um dia ruim assim?

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A incrível geração de pessoas que possuem a vida mais interessante que você



Existe um tipo de pessoa que sempre vem te contar as novidades sobre sua vida e demanda de você toda a atenção do mundo para os fatos que, obviamente, são engraçados e excitantes, inusitados e exclusivos. Você ouve e algumas vezes as histórias até realmente são engraçadas, legais ou até mesmo sérias. Ah, por falar nisso, os problemas... Da mesma forma como as boas notícias, as más também são sempre acima da média. Os problemas destas pessoas sempre são muito complicados, fica até difícil de falar em possíveis soluções. São verdadeiramente um inferno na terra. Certamente você deve conhecer alguém assim.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Junto ou separado?

Quando eu paro um pouquinho para dar uma olhada nas coisas ao redor, o que eu percebo é um misto de intensos sentimentos muitas vezes completamente paradoxais num mesmo grupo de pessoas ou numa mesma pessoa, em todos os lugares - e esse é um dos motivos de eu ter vários mecanismos para usar as redes sociais de maneira mais moderada possível, por exemplo. Não critico isso, pois até no espelho enxergo às vezes esse fenômeno. Não posso negar, no entanto, que me incomoda um pouco essa sensação de falta de solidez.

Você faz a leitura de um blog (e, sério, estou farta desses blogs todos tão iguais - podem até incluir o meu) que diz que você tem que fazer o que quiser, sim, afinal, você é livre! É preciso desapegar, desamar, se conhecer, dar pra todo mundo ou não dar pra nenhum, que é hora de viver o momento, viver o aqui e o agora e pronto. Que é tempo de ficar só e isso de maneira alguma é ruim, que esse lance dos status, das formas predefinidas, não, nada disso funciona mais. Afinal, é hora de amar a si e somente a si, assim.

Fujam para as colinas!

domingo, 24 de abril de 2016

Smashed (2012)




Smashed (2012 - "De Volta à Realidade"), é um daqueles filmes em que muita gente não acredita ou não considera ser interessante para assistir. A sinopse foi sugestiva o suficiente para me aguçar a curiosidade:

Kate (Mary Elizabeth Winstead) e Charlie (Aaron Paul) formam um jovem casal cuja união se deu pelo amor que ambos sentem pela música, pela diversão e pela bebida... Principalmente pela bebida. Quando o consumo de álcool começa a levá-la a lugares perigosos e põe em perigo seu trabalho como professora, ela decide procurar os Alcoólatras Anônimos e se manter sóbria. Com a ajuda de sua nova amiga e protetora (Octavia Spencer) e do vice-diretor do colégio onde trabalha, o estranho mas bem-intencionado Sr. Davies (Nick Offerman), Kate toma providências para melhorar sua saúde e sua vida. No entanto, manter-se sóbria não é tão fácil como Kate imaginara. Seu novo estilo de vida revela um relacionamento complicado com sua mãe, fazendo-a enfrentar as mentiras que contou a sua chefa (Megan Mullally) e põe em dúvida a razão de seu casamento com Charlie: amor ou medo de enfrentar a vida adulta? (Filmow)

sábado, 23 de abril de 2016

Sem pressão.

Mandy Tsung


Não cansa ser sarcástico o tempo todo?
Não cansa ter sempre uma opinião formada sobre tudo e rapidamente?
Não cansa ter que ter certeza sobre qualquer assunto relevante ou não?
Não pesa ter que ter os mesmos pensamentos que os seus amigos?

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Marcada pra valer e nada recatada.

"A deformidade do corpo não afeia uma bela alma, mas a formosura da alma reflete-se no corpo." (Sêneca)
"O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito, desfaz-se - basta a simples reflexão." (Machado de Assis)
"Não existe testemunha mais terrível - acusador mais poderoso - do que a consciência que habita em nós." (Sófocles)

Faço coisas que me marcam. Pode ser o corte do cabelo, uma tatuagem, uma fala, um texto, uma foto, eu quero que me marque, marque o momento em que eu estou vivendo e quem sou naquele instante. Gosto de olhar para trás e lembrar exatamente quem eu era e por que estava de determinada forma. As fotografias que fiz aqui são um marco de um momento da minha vida. Um momento em que eu acordava e me sentia imunda. Coincidentemente, as fotos foram finalizadas no dia do movimento "Bela, Recatada e Do Lar". Bem, recatada eu nunca fui e por isso eu sentia como se cada parte do meu corpo estivesse infectada, sentia raiva de mim mesma e dos meus impulsos. Comecei a me sentir horrível, por dentro e por fora. O desejo que eu tinha por mim mesma estava se esvaindo, eu queria e precisava me "rever".

Vez ou outra tenho vontades súbitas, não cabe aqui dizer quais são, a questão é que, em boa parte das vezes, não fujo dessas vontades. E quando rola o arrependimento (leve ou não) de fazer certas coisas, eu decido embalá-lo em um lindo papel de presente chamado "experiência". Posar para um ensaio sensual foi uma dessas experiências que eu tenho vontade de repetir. Desta vez, até segunda ordem, não há arrependimentos.

Depois de ver vários ensaios, saber o que eu queria "ser", enfim, decidi. O fotógrafo, Alessio Rissato, além de um ótimo profissional é um dos meus amigos mais antigos e íntimos, o que favoreceu com que eu me sentisse muito à vontade e respeitada. Sempre fui apaixonada por aquele estereótipo da "femme fatale", brava, decidida. E, por alguns instantes, eu me enxerguei assim.

Há um medo, confesso (religião, consciência moral, "o que será que vão dizer?", formação de estereótipos...), mas por enquanto... vai tudo bem e, pra mim mesma, eu sou a "fatale", brava e decidida, que eu admiro. Parece meio incoerente encontrar a forma mais "imoral" para me sentir com um pouco mais de "moral". Mas aí fiquei me perguntando: "imoral por quê?". É uma coisa tão normal, tão natural, é o corpo e pronto. Eu não quero encarar isso de outra forma.

Poderia enviar para outro site, poderia não mostrar pra ninguém, que era o que eu queria realmente, mas eu não sou de fazer nada pela metade. Isso não seria diferente. Sou eu, apenas eu, aqui no canto que é mais meu do que de qualquer outra pessoa no mundo, no Lar, com uma iluminação bacana, um fotógrafo e uma câmera profissionais e sem photoshop. Me expondo sim, mostrando meus "defeitos" e até, veja só, gostando de cada um deles, como qualquer mulher deveria se sentir: bem.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Notas sobre o marasmo

Sem novidades. Nada. Silêncio.
Como vão as coisas?
O que você tem feito?
Sem novidades. Nada. Silêncio.

Tô lendo um livro.
Tô ouvindo um álbum antigo.
Descobri uma banda.
Escrevi uma poesia.
Assisti aquele filme que eu não tinha vontade de assistir.

Prometi aprender a tocar algum instrumento.
Descobri um café novo no centro da cidade.
                Mas estou sem novidades.
                Nada.
                Silêncio.

Pensei na próxima tatuagem.
Pensei no tema da dissertação.
Pensei no show que quero ir.
Pensei na composição que eu quero fazer.
            E na melodia que ela podia ter.
Pensei naquele passeio que fiz sem motivo algum.
Estou pensando no próximo passeio que, sem motivo algum, quero fazer.

Ignorei algumas tarefas.
Ignorei algumas falhas.
Parei de sonhar enquanto durmo, estou sonhando acordada.
                                                      Com os pés bem no chão
                                                      querendo ficar na meia ponta
                                                     (mas sem vontade alguma de voar).

Eu conheci algumas pessoas.
Eu desconheci algumas outras também.
Eu reaprendi alguns conceitos.
Eu deixei de gostar de algumas coisas.

Eu pedi desculpas.
Eu não me arrependi de várias coisas.
Eu saí sem beber
           E bebi de novo depois
Eu continuo dançando.

Mas eu estou sem novidades.
Nada.
Silêncio...

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sobre alguns itens.




Sobre equilíbrio.
Não sou muito equilibrada (não convencionalmente). Eu tenho uma linha padrão de comportamento com umas curvas bem tortuosas. Eu passo uma semana bacana, uma semana mal, uma semana sei lá e uma semana nem aí... Eu sumo, apareço, eu brigo, eu rio, eu não importo e depois me importo de novo.

Sobre planos.
Faço, desfaço, refaço, altero. Não sigo linha reta, mas me apego a alguns sonhos. Quero família, sim, eu sei que quero. Quero casa simples. Sim, eu sei que quero. Mas os planos para alcançar isso, não tenho mais, estou vivendo, não sei se um dia terei, mas estarei de braços abertos para receber quando o tempo chegar, se chegar, se eu continuar querendo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

2015: o pior anos de nossas vidas

Douglas Girard –  La alegría de vivir.


Mentira. Não foi o pior ano da minha vida. Acho que nem da sua. Venhamos e convenhamos que as coisas sempre podem ficar pior, e há ainda o clichê bonito de se dizer que toda coisa ruim tem seu lado bom. A minha retrospectiva sobre 2015 não reflete os acontecimentos mundiais (que inclui os nacionais - crise, desastres ambientais, escândalos, desemprego...), mas ainda assim acredito que os ensinamentos que me deu são válidos, pelo menos para mim.

Em 2015 eu passei por muitas mudanças, inclua aí o meu ganho de peso. Inclua também o perfeito amor destruído por mim. Inclua também a fuga/solução para a minha falta de privacidade e minha vontade gigante de voar mais alto e sem explicações - nem para mim mesma.

Inclua também a solidão, o medo e a insegurança. Mas inclua também a coragem, que nem eu sabia que tinha. Inclua também a falta de vergonha, que eu já tinha ideia que tinha, mas que não ainda havia testado.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Quantos monstros eu tenho?

Emotional Innocence - Tim Parker

Quantos monstros moram dentro de mim?
Quantos monstros eu sou?
Quantos segredos eu guardo?
Quantos venenos eu tenho?
Quais os perfumes que eu não exalo?

Quantos medos eu perdi?
Quantos dedos já não tenho?
Quais os sonhos que ainda guardo?
Quais os tempos que eu não vivo?
Quais remédios eu não tomo?

Quantas máscaras eu uso?
Quantos limites ultrapassei?
Quantas fronteiras eu atravessei?
Quantos muros eu derrubei?
Quantos beijos desperdicei?

Quantas músicas não ouvirei mais?
Quantos músicos não verei mais?
Quantos shows eu darei?
Quantas vergonhas ainda passarei?
Quantos personagens eu vou encenar?

Quantas peças
Quantos dramas
Quantos ensaios...
Eu ainda vou atuar?
Eu ainda vou ser?

--

Quais as chances eu ainda conseguir ser aquilo que eu pretendo? Eu dou um pause, tento sumir por algumas horas, alguns dias, pra recolocar as coisas no seu devido lugar e perceber: eu sou um emaranhando de problemas, de confusões, de tanta coisa de mim mesma que eu não conheço, que eu mesma me assusto, eu mesma me envergonho de tanta coisa que está aqui transbordando em mim, sem eu querer que estivesse. Estou cansando de mim.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Textos alterados

Escritor - pintura de Iria Blanco Barca

Não gosto de histórias mal contadas. Não gosto de histórias pela metade. Não gosto de histórias mal feitas. Não gosto de ler, de ouvir, de contar histórias ruins (não necessariamente tristes). Não gosto de histórias partidas, histórias indefinidas, de histórias com começos desgostosos e não gosto de finais. Na verdade, não gosto de poesias ao final e de novelas no começo.

I could love you more than life if I wasn't so afraid of what it all could be...

Não gosto de consertar um texto, digo e repito: o que eu escrevi, escrito está, não volto atrás. Ajeito uma vírgula ou um ponto, se realmente tiver que ajeitar, mas o texto depois de escrito já não é mais eu, já não é mais só meu. Não é justo querer voltar e reescrever. Quem reler, se reler, não lerá a mesma coisa, já estará alterado.